Manhãs de domingo, todo mundo ainda dorme o descanso dos guerreiros, e você esta lá acordado, ou pelo menos tentando, ouvindo o Galvão Bueno falar aquele monte de abobrinhas enquanto começam a aparecer as primeiras imagens dos carros, a volta panorâmica no circuito. Belas mulheres circulam ao lado de belos carros, aparatos técnicos rodeiam a máquina que parece implorar para ser ligada e sair ritando pneus. E então surgem aqueles seres, que não sei o porquê, foram agraciados com a honra de guiar essas maquinas tão fantásticas. Esta armado o espetáculo.
Foi assim que eu vivi várias manhãs e madrugadas de domingo, contando voltas mais rápidas, vendo ultrapassagens, rodadas e batidas impressionantes, até aquela que não gostamos de lembrar.
Com o tempo comecei a seguir as outras modalidades, motos, caminhões, carros de turismo, mas sentia que ainda faltava algo, como eu um amante do esporte nunca tinha visto uma corrida de perto. Não tinha ouvido em loco o barulho sentindo o cheiro, ou melhor, o perfume da gasolina, a sensação de torcer das arquibancadas, como?
E então num domingo de Outubro eu não estava à frente da TV ouvindo o falatório do Galvão, eu estava na arquibancada de frente para os boxes em Interlagos vendo de perto tudo aquilo que eu presenciava na TV, e então quando as luzes vermelhas se apagaram pude ouvir o som mais marcante da minha vida e sentir o perfume que eu jamais vou esquecer. O da gasolina.
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